{"id":193,"date":"2014-08-27T06:52:14","date_gmt":"2014-08-27T14:52:14","guid":{"rendered":"http:\/\/discursodasmidias.com.br\/?p=193"},"modified":"2014-08-27T09:15:09","modified_gmt":"2014-08-27T17:15:09","slug":"apenas-as-pessoas-simplorias-nao-julgam-pela-aparencia-oscar-wilde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/?p=193","title":{"rendered":"Apenas as pessoas simpl\u00f3rias n\u00e3o julgam pela apar\u00eancia. (Oscar Wilde)."},"content":{"rendered":"<p><!-- Link and image removed by Remove First Image Plugin --><\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 nesse intuito que procuramos compreender, por meio de um recorte est\u00e9tico e econ\u00f4mico, os fen\u00f4menos de m\u00eddia modernos com seus impactos sociais atrav\u00e9s, particularmente, os dos reality shows. Fen\u00f4meno a ser tomado como um campo de investiga\u00e7\u00e3o privilegiado, por fazer convergir, de maneira inaudita, diversos interesses e rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a, como as demandas do capitalismo p\u00f3s industrial, p\u00f3s-fordista ou imaterial por perfis identit\u00e1rios, motivados por suas \u201cintimidades\u201d public\u00e1veis, desejos de visibilidade e autenticidade, dentre tantas outras demandas. Os reality shows, assim como o capitalismo contempor\u00e2neo em sua vertente imaterial, fariam ent\u00e3o da pr\u00f3pria vida, \u201can\u00f4nima\u201d e \u201creal\u201d, um terreno mais f\u00e9rtil, \u201ccriativo\u201d e rent\u00e1vel para seus din\u00e2micos investimentos capitalistas modernos. Vale lembrar que \u201ca integra\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o de massa (&#8230;) na l\u00f3gica do progresso da racionalidade tecnol\u00f3gica\u201d (MARCUSE, 2006, p.59) \u00e9 sin\u00f4nimo do fechamento do universo cultural. O \u201c(&#8230;) campo das produ\u00e7\u00f5es culturais (&#8230;)\u201d (BOURDIEU, 2001, p.37) tinha como p\u00f3lo de diferencia\u00e7\u00e3o funcional \u2013 a distin\u00e7\u00e3o \u2013 a alta cultura. Segundo Marcuse, a \u201c(&#8230;) alta cultura esteve sempre em contradi\u00e7\u00e3o com a realidade social\u201d (Marcuse, idem, p.60), o que assegurava a exist\u00eancia de duas dimens\u00f5es na sociedade. O fim desta d\u00edade dimensional ocorreu, n\u00e3o por for\u00e7a da \u201c(&#8230;) nega\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o dos valores culturais, mas atrav\u00e9s da sua incorpora\u00e7\u00e3o global nos par\u00e2metros da ordem estabelecida, por interm\u00e9dio da sua oferta e reprodu\u00e7\u00e3o numa escala massiva\u201d (Marcuse, idem, p.60). Indo mais al\u00e9m, estamos diante do que Walter Benjamin denominou de \u201creprodutibilidade t\u00e9cnica da obra de arte\u201d, em que \u201cquanto maior o significado social de uma [obra], diminui e tanto mais se afastam no p\u00fablico as atitudes cr\u00edticas e de frui\u00e7\u00e3o (&#8230;)\u201d (BENJAMIN, 1992, p.104), ainda que manipulada em sua condi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Na realidade, a massifica\u00e7\u00e3o do uso (e usufruto) da comunica\u00e7\u00e3o de massa, na sua forma reproduzida, obedece ao princ\u00edpio de \u201c(&#8230;) tornar a alta cultura parte da cultura material\u201d (MARCUSE, 2006, p.61). Por\u00e9m, esta expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica para o terreno da vida do comum mortal n\u00e3o \u00e9 significado de democratiza\u00e7\u00e3o cultural. (BENJAMIN, 1992, p.82). De outro lado, temos \u201ca invalida\u00e7\u00e3o da sua for\u00e7a subversiva, o seu conte\u00fado destruidor (&#8230;)\u201d (MARCUSE, idem, p.64). &lt;strong&gt;Distante das cr\u00edticas \u00e0 banalidade de um suposto \u201ccotidiano\u201d e longe dos discursos de ades\u00e3o, as tentativas de compreens\u00e3o dos contempor\u00e2neos programas de realidade teleprogramada, amplamente conhecidos por reality shows, movem-se em terreno incauto e banalizador.&lt;\/strong&gt; Tal como nosso tempo, os reality shows requerem um entendimento mais amplo que contemple suas formas cambiantes, m\u00faltiplas e seus efeitos paradoxais &#8211; an\u00e1lise e diagn\u00f3stico que n\u00e3o implicam predizer, apontando o dedo em riste para a comunica\u00e7\u00e3o moderna e seus dispositivos culturais. Por isso, \u00e9 sempre t\u00e3o desafiante tentar analisar os efeitos alienadores, ou, no caso da perspectiva aqui postulada, dita como comunica\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica, aquilo que faz da pr\u00f3pria vida, mat\u00e9ria-prima de observa\u00e7\u00e3o, instrumentaliza\u00e7\u00e3o e subjetiviza\u00e7\u00e3o compartilhada. Por\u00e9m, quando falamos em \u201co\u201d fen\u00f4meno dos reality shows, de modo algum queremos circunscrev\u00ea-lo, ou reduzi-lo, a um corpo \u00fanico, desprovido de matizes e produtor de sentidos banais. De modo algum queremos obscurecer a singularidade dos objetos que constituem tal fen\u00f4meno, domesticando-os como mero e ilustrativo suporte para uma tessitura te\u00f3ricoconceitual. Tendo em vista as rela\u00e7\u00f5es de poder forjadas por esses programas televisivos, o \u201cfen\u00f4meno\u201d a que nos referimos, indica que os reality shows, de uma tend\u00eancia internacional no mercado do audiovisual, t\u00eam se transformado em presen\u00e7a permanente, de manifesta\u00e7\u00e3o massiva que se difunde pela m\u00eddia, nacionais e estrangeiras, por meio da pluralidade de g\u00eaneros e formatos, da horizontalidade das formas de produ\u00e7\u00e3o, exibi\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o e, no caso do Big Brother Brasil, nosso mais expressivo reality, por meio do desenvolvimento<br \/>\ngalopante da chamada converg\u00eancia de m\u00eddias, que insere o BBB (Big Brother Brasil) como o produto central dentre uma rede de tecnologias e servi\u00e7os. Servi\u00e7os que, pautados por demandas de interatividade, essa capciosa forma de incita\u00e7\u00e3o \u00e0 ades\u00e3o volunt\u00e1ria, mobilizam simultaneamente diversos suportes tecnol\u00f3gicos e comunicacionais, como a televis\u00e3o aberta e fechada, a telefonia fixa e m\u00f3vel, site, f\u00f3runs, chats e canais de exibi\u00e7\u00e3o na internet, al\u00e9m das publica\u00e7\u00f5es di\u00e1rias e peri\u00f3dicas, eletr\u00f4nicas ou tradicionais \u2013 das revistas de \u201cgente\u201d \u00e0 pornografia, passando por diferentes perfis de jornais. Em todas essas m\u00eddias, por mais diversificadas que se apresentem, trata-se de fazer convergir um mesmo interesse: \u00e9 preciso que tudo se torne vis\u00edvel para que se\u00a0 possa administrar, prever, programar, monitorar e simular. \u00c9 preciso que tudo se torne vis\u00edvel para que se possa n\u00e3o mais vigiar e punir &#8211; como nas modernas sociedades disciplinares -, mas espiar e premiar, controlar e estimular, constranger e liberar. Bin\u00f4mios paradoxais moduladores da experi\u00eancia e da vida nas contempor\u00e2neas sociedades de controle, vida que tanto escapa \u00e0s domina\u00e7\u00f5es quanto demanda ser por elas reativada, vida que reivindica a possibilidade de se furtar ao olhar alheio ao mesmo tempo em que solicita ser permanentemente observada. Antes, para al\u00e9m de um poss\u00edvel voyeurismo, trata-se da interioriza\u00e7\u00e3o da vigil\u00e2ncia por meio de um pacto de encena\u00e7\u00e3o, que por sua vez implica uma rela\u00e7\u00e3o de poder produtiva, e n\u00e3o repressiva: encenando-se a si mesmos e interpretando seus tipos, em rea\u00e7\u00e3o e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s c\u00e2meras, os participantes de um reality show demandam ser constantemente observados, em um tipo de pacto em que o ato de espiar, vigiar ou espreitar \u00e9 ressignificado.<br \/>\nEnquanto dispositivo, isto \u00e9, enquanto um modo de operar dotado de uma l\u00f3gica e de efeitos que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios, os reality shows se articulariam a outros objetos audiovisuais cont\u00edguos &#8211; como blogs, fotologs, v\u00eddeos amadores, simula\u00e7\u00e3o de flagras, transmiss\u00f5es via webcams, transmiss\u00f5es esportivas televisivas e alguns filmes documentais e ficcionais -, tendo sempre<br \/>\nem vista de que se trata de um \u201cmesmo\u201d, por\u00e9m bastante pl\u00e1stico e plural, regime de visibilidade. Dando ent\u00e3o continuidade \u00e0s met\u00e1foras cl\u00ednicas foucaultianas, n\u00e3o se trataria, assim, como uma \u201cl\u00f3gica cultural do capitalismo imaterial\u201d, designamos um duplo movimento, tanto os programas em si mesmos quanto a l\u00f3gica, tamb\u00e9m dupla, por meio da qual operam, a saber: a<br \/>\nconverg\u00eancia de \u201ct\u00e9cnicas pol\u00edticas\u201d que se pretendem objetivas e totalizantes &#8211; como a vigil\u00e2ncia, o controle, a regula\u00e7\u00e3o dos comportamentos e da dimens\u00e3o libidinal da vida, a puni\u00e7\u00e3o e a premia\u00e7\u00e3o &#8211; com t\u00e9cnicas subjetivas de individualiza\u00e7\u00e3o, ou \u201ctecnologias do eu\u201d, por meio das quais se realizam os processos de subjetiva\u00e7\u00e3o, de cria\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, de autoexpress\u00e3o<br \/>\ne de exterioriza\u00e7\u00e3o de si como personagem p\u00fablico. \u00c9 habitando esse duplo v\u00ednculo pol\u00edtico, entre as t\u00e9cnicas pol\u00edticas e as tecnologias de individualiza\u00e7\u00e3o, entre a interioriza\u00e7\u00e3o dos poderes e da vigil\u00e2ncia e a modula\u00e7\u00e3o dos processos de subjetiva\u00e7\u00e3o, que a vida agenciada pelos reality shows revela-se, pelo menos em princ\u00edpio, como o fundamento das democracias ocidentais modernas: pois, quanto mais rentabilizada e valorada como um \u201ccapital pessoal\u201d a ser cuidadosamente administrado, negociado e atualizado; quanto mais investida e atravessada por poderes, dispositivos e tecnologias; e, quanto mais aparentemente valorizada, em sua dimens\u00e3o \u201ccotidiana\u201d e \u201cordin\u00e1ria\u201d, mais a vida \u00e9 instrumentalizada, expropriada de sua exist\u00eancia propriamente pol\u00edtica e reduzida a uma performance: comportamental, sexual, midi\u00e1tica e profissional. No caso do dispositivo Big Brother, essa \u201cforma narrativa da domina\u00e7\u00e3o\u201d se d\u00e1 n\u00e3o apenas por sua dissemina\u00e7\u00e3o horizontalmente globalizada, em um n\u00edvel macroecon\u00f4mico, mas, sobretudo, pelo modo transversal com que ela atua s\u00f3cio-culturalmente, em um n\u00edvel microf\u00edsico. \u00c9 no \u00e2mbito da pr\u00f3pria diegese1 do programa que se efetivam, de fato, as variadas formas de domina\u00e7\u00e3o, subjetiva\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o, em uma din\u00e2mica de poder que faz da \u201cmotiva\u00e7\u00e3o\u201d e das \u201ct\u00e9cnicas motivacionais\u201d (com todos os afetos que elas implicam) desse dispositivo de produ\u00e7\u00e3o subjetiva alterdirigida e simult\u00e2nea produ\u00e7\u00e3o capitalista, quando os modos ou \u201cestilos de vida\u201d, mesmo os mais singulares, se tornam a fonte de energia que alimenta a permanente renova\u00e7\u00e3o das tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o, das irrestritas estrat\u00e9gias de marketing e dos fluxos capitalistas. Assim, ao naturalizar e consolidar, por meio das op\u00e7\u00f5es e opera\u00e7\u00f5es de linguagem, rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a e de poder no bojo daquilo que chamamos, usualmente, de \u201cleis de mercado\u201d, os programas de realidade tele-programada, com toda a criatividade narrativa e dramat\u00fargica que possam apresentar &#8211; basta acompanhar os desenvolvimentos de uma decupagem narrativa nas sucessivas edi\u00e7\u00f5es do Big Brother brasileiro -, prestam-se a uma fun\u00e7\u00e3o social-t\u00e9cnica: esp\u00e9cie de servi\u00e7o \u201cp\u00fablico\u201d ou programa\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica das condutas \u201cprivadas\u201d. Certamente, um e outro \u201cmodelo\u201d muitas vezes se sobrep\u00f5em. Al\u00e9m dos reality shows de confinamento hedonista e volunt\u00e1rio (sendo o Big Brother a matriz), cujo dispositivo de convivialidade vigiada estimula a produ\u00e7\u00e3o de conflitos e a exposi\u00e7\u00e3o de condutas privadas. H\u00e1 um realiity show \u201cprofissionalizante\u201d, cujo m\u00e9todo passa por estrat\u00e9gias de humilha\u00e7\u00e3o deliberadas (caso de \u201c\u00cddolos\u201d, por exemplo), al\u00e9m dos reality shows de interven\u00e7\u00e3o: aqueles que, enquanto oferecem oportunidades de reformata\u00e7\u00e3o &#8211; do corpo, da casa ou do comportamento &#8211; para os participantes, funcionam como um tipo de servi\u00e7o \u201cassistencial\u201d para os telespectadores. Neste caso, \u00e9 poss\u00edvel aprender a: emagrecer (\u201cVoc\u00ea \u00e9 o que voc\u00ea come\u201d; \u201cO Grande Perdedor\u201d), cuidar dos filhos, (\u201cSuperbab\u00e1\u201d), adestrar homens (\u201cTraga seu Marido na Coleira\u201d), submeter-se a homens machistas (\u201cGarota FX\u201d), reformatar o visual atrav\u00e9s de cirurgias pl\u00e1sticas (\u201cExtreme Makeover\u201d; \u201cThe Swan\u201d, \u201cBeleza Comprada\u201d), dominar t\u00e9cnicas de sedu\u00e7\u00e3o (\u201cInspetores do sexo\u201d), empreender a\u00e7\u00f5es ambientalistas (\u201cPlaneta em a\u00e7\u00e3o\u201d), arrumar e remodelar a casa (\u201cMinha casa, sua casa\u201d, \u201cQueer eye for the straight guy\u201d), vestir-se de acordo com a moda em voga (\u201cEsquadr\u00e3o da Moda\u201d), ser competitivo na selva (\u201cSurvivor\u201d), ser competitivo no mundo corporativo (\u201cO Aprendiz\u201d), al\u00e9m de diversos exotismos: como desempenhar o papel de m\u00e3e em outra fam\u00edlia cujo perfil identit\u00e1rio seja oposto (\u201cTroca de fam\u00edlia\u201d), dispor de apenas um \u00fanico m\u00eas para mudar radicalmente de profiss\u00e3o (\u201cTudo \u00e9 poss\u00edvel\u201d), sobreviver em uma fazenda de 1900 nas condi\u00e7\u00f5es do passado (\u201cA casa de 1900\u201d) ou conviver com tribos que habitam remotas regi\u00f5es do planeta (\u201cWoman on the tribe\u201d), para citar apenas alguns. N\u00e3o seria exagero, portanto, sugerir que, cada vez mais, os dispositivos tecnol\u00f3gicos, telecomunicacionais e audiovisuais contempor\u00e2neos p\u00f5em em funcionamento &#8211; como j\u00e1 nos havia alertado Paul Virilio, no in\u00edcio dos anos 90 &#8211; um \u201cintegrismo t\u00e9cnico\u201d, marcado por algumas propriedades do divino, como, al\u00e9m da onivid\u00eancia e onisci\u00eancia, a onipresen\u00e7a, a ubiquidade, a instantaneidade e a transpar\u00eancia. Nesse sentido, poder\u00edamos tamb\u00e9m compreender a prolifera\u00e7\u00e3o de reality shows e de toda sorte de objetos audiovisuais cont\u00edguos que apelam constantemente \u00e0 realidade, por meio da intensifica\u00e7\u00e3o de efeitos de real e de verdade, como a expans\u00e3o de um regime de visibilidade fascinado. Lembrando que em \u201cAdmir\u00e1vel Mundo Novo\u201d, Huxley tamb\u00e9m d\u00e1 muita \u00eanfase ao empobrecimento cultural e da linguagem, quando v\u00e1rias de suas alegorias abordam os chav\u00f5es, os slogans mec\u00e2nicos e<br \/>\nhipn\u00f3ticos a que as pessoas eram condicionadas. Ent\u00e3o por este aspecto, \u00e9 v\u00e1lida a cr\u00edtica aos ataques \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o ultrajada e \u00e0 pobreza das prefer\u00eancias das massas. Por\u00e9m, criticar a debilidade cultural pura e simplesmente, sem esta reflex\u00e3o sobre as correla\u00e7\u00f5es no campo da capacidade de resist\u00eancia e outros \u00e2ngulos da quest\u00e3o, pode nos levar a defender a domina\u00e7\u00e3o, pois, como foi dito em alguns dos textos sobre o assunto, o dom\u00ednio da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um fator de distin\u00e7\u00e3o social, de segrega\u00e7\u00e3o, de exclus\u00e3o. Este \u00e9 o ponto de ebuli\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o \u2013 a comunica\u00e7\u00e3o de massa \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o feita de forma industrial, ou seja, em s\u00e9rie para atingir um grande n\u00famero de indiv\u00edduos, a sociedade de massa. Numa vis\u00e3o apocal\u00edptica, ela \u00e9 uma convers\u00e3o da cultura em mercadoria, utilizada pelas classes dominantes de forma vertical para homogeneizar as massas. Para definir esta convers\u00e3o, os frankfurtianos Adorno e Horkheimer criaram o termo Ind\u00fastria Cultural, citado pela primeira vez em Dial\u00e9tica do<br \/>\nIluminismo. A Ind\u00fastria cultural \u00e9 consequ?\u00eancia da industrializa\u00e7\u00e3o e do desenvolvimento de uma cultura de mercado e exerce um poder alienante sobre as massas, impedindo que elas tenham um certo grau de consci\u00eancia e reflitam sobre o mundo \u00e0 sua volta. Segundo Lazarfeld (&#8220;The People&#8217;s Choice&#8221;- 1944) a comunica\u00e7\u00e3o possui uma &#8220;disfun\u00e7\u00e3o narcotizante, pela qual os meios de comunica\u00e7\u00e3o criam a ilus\u00e3o de uma participa\u00e7\u00e3o nos processos que definem a sociedade, mas \u00e9 neste mesmo movimento ilus\u00f3rio que eles imobilizam suas audi\u00eancias.&#8221; Esta disfun\u00e7\u00e3o fica clara na comunica\u00e7\u00e3o de massa. Alguns te\u00f3ricos afirmam que a comunica\u00e7\u00e3o de massa n\u00e3o \u00e9 uma verdadeira comunica\u00e7\u00e3o, pois a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma via de dois sentidos e a comunica\u00e7\u00e3o de massa ocorre num \u00fanico sentido. Mesmo assim, a comunica\u00e7\u00e3o de massa \u00e9 um fen\u00f4meno praticamente mundial, o que proporciona um mundo &#8220;unido pela comunica\u00e7\u00e3o&#8221; ou o surgimento da Aldeia Global. Corroborando com as ideias McLuhan (1971), podemos afirmar que as culturas de massa criadas pelos modernos meios eletr\u00f4nicos (sobretudo a televis\u00e3o), e sua linguagem pr\u00f3pria, baseada na imagem, significa o surgimento de uma nova cultura popular capaz de permitir a comunica\u00e7\u00e3o entre os habitantes da aldeia global em um mundo comprimido pelas redes eletr\u00f4nicas de informa\u00e7\u00e3o, de onde deduzimos<br \/>\nque n\u00e3o h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o com o que se informa, a estes meios, j\u00e1 que basta, t\u00e3o somente comunicar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n&#8220;\u00c9 nesse intuito que procuramos compreender, por meio de um recorte est\u00e9tico e econ\u00f4mico, os fen\u00f4menos de m\u00eddia modernos com seus impactos sociais atrav\u00e9s, particularmente, &hellip;","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-193","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-marketing"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=193"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":241,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/193\/revisions\/241"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}