{"id":68,"date":"2013-07-01T08:54:40","date_gmt":"2013-07-01T16:54:40","guid":{"rendered":"http:\/\/discursodasmidias.com.br\/?p=68"},"modified":"2014-08-25T09:35:40","modified_gmt":"2014-08-25T17:35:40","slug":"a-imagem-e-o-controle-panoptico-da-publicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/?p=68","title":{"rendered":"A IMAGEM E O CONTROLE PAN\u00d3PTICO DA PUBLICIDADE"},"content":{"rendered":"<p><!-- Link and image removed by Remove First Image Plugin --><\/p>\n<p>Conv\u00e9m ressaltar que os meios t\u00e9cnicos ampliaram a escala da comunica\u00e7\u00e3o humana, uma \u00a0vez que permitem a transmiss\u00e3o do c\u00f3digo n\u00e3o somente pelo discurso verbal, mas tamb\u00e9m,\u00a0pela utiliza\u00e7\u00e3o da imagem. Assim, a apreens\u00e3o do real verifica-se por meio do olhar \u00a0publicit\u00e1rio que direciona as escolhas de um indiv\u00edduo silenciado por um sistema simb\u00f3lico, \u00a0que confirma a ideologia vigente, ou seja, de um lado o dominante e de outro o dominado. A sustentabilidade das rela\u00e7\u00f5es sociais, a partir dos c\u00f3digos operacionais da economia de \u00a0mercado disseminados e traduzidos pela ind\u00fastria cultural, mostra que a publicidade \u00a0operacionaliza a socializa\u00e7\u00e3o imposta pelo mundo capitalista, uma vez que gera o simulacro do desejo consumista. A linguagem da felicidade abordada pela publicidade direciona o \u00a0fortalecimento do controle pan\u00f3ptico2 da propaganda e, visto que ret\u00e9m o olhar do outro \u00a0atrav\u00e9s da c\u00f3pia do real. Como conseq\u00fc\u00eancia, a propaganda estimula o homem a buscar a \u00a0satisfa\u00e7\u00e3o do \u201cstatus de imita\u00e7\u00e3o\u201d do valor de verdade artificial que o insere na busca da\u00a0realiza\u00e7\u00e3o pessoal e profissional. A constru\u00e7\u00e3o da identidade humana delineia-se \u00e0 margem do\u00a0pseudo-acontecimento publicit\u00e1rio. Dessa maneira, o homem do s\u00e9culo XXI configura-se \u00a0como sujeito consumidor perturbado por uma identidade narcisista, que revela a sua\u00a0fragilidade existencial de um ser humano capaz de assumir a forma multifacetada dentro da\u00a0imediatez de uma rela\u00e7\u00e3o entre a m\u00eddia publicit\u00e1ria e a forma\u00e7\u00e3o da \u201cmarca\u201d propagand\u00edstica\u00a0pautadas pelo discurso persuasivo.\u00a0O homem, portanto \u00e9 feito \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a da linguagem publicit\u00e1ria, ou seja, somos\u00a0o que possu\u00edmos e o que falamos e nada mais. Essa ideologia materialista acaba por\u00a0marginalizar, infelizmente, a ess\u00eancia humana que se encontra aprisionada pelo mundo do\u00a0\u201cfaz de conta\u201d.\u00a0O discurso publicit\u00e1rio encontra-se marcado por uma linguagem altamente persuasiva e\u00a0sedutora que dissemina uma mensagem baseada na busca fren\u00e9tica pela juventude, progresso,\u00a0abund\u00e2ncia, renova\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o pelo outro. Como na propaganda, manipula os recursos\u00a0estil\u00edsticos e argumentativos, possibilita edificar um mundo ideal definido pela perfei\u00e7\u00e3o e\u00a0pela normaliza\u00e7\u00e3o do prazer compulsivo e ef\u00eamero.\u00a0Os valores \u00e9ticos e morais s\u00e3o constru\u00eddos linguisticamente por meio do discurso publicit\u00e1rio\u00a0que legitima e externaliza as representa\u00e7\u00f5es sociais pautadas na generalidade de estere\u00f3tipos.\u00a0Como conseq\u00fc\u00eancia, o receptor encontra-se fascinado pelo impacto propagand\u00edstico devido a\u00a0seu car\u00e1ter psicol\u00f3gico, social e econ\u00f4mico.Assim as escolhas lexicais, fraseol\u00f3gicas e lingu\u00edsticas auxiliam a propaganda no que se\u00a0refere a sua r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o e fixa\u00e7\u00e3o por um p\u00fablico convencido pela apar\u00eancia. Os\u00a0apelos e a utiliza\u00e7\u00e3o das formas fixas pela publicidade garantem o n\u00e3o questionamento da\u00a0\u201cverdade consagrada\u201d pelos an\u00fancios repletos de imperativos, eufemismos, ambiguidade,\u00a0repeti\u00e7\u00e3o, adjetivos, verbos, operadores argumentativos e outros recursos estil\u00edsticos e\u00a0morfossint\u00e1ticos.\u00a0A natureza da imagem molda-se s\u00f3cio-culturalmente, e tamb\u00e9m, psicologicamente, pois a\u00a0ind\u00fastria publicit\u00e1ria aproveita-se do conte\u00fado afetivo e emocional das palavras para\u00a0concretizar eficazmente a codifica\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o da sua mensagem. Dessa forma, o\u00a0aspecto lingu\u00edstico aparece na publicidade, a fim de ser associado \u00e0 mem\u00f3ria do indiv\u00edduo\u00a0para motiv\u00e1-lo subjetivamente e objetivamente a concretizar a compra.\u00a0A capacidade de absor\u00e7\u00e3o e entendimento por parte do receptor subordina-se a coer\u00eancia,coes\u00e3o, situacionalidade e informatividade da pe\u00e7a publicit\u00e1ria. Portanto, a produ\u00e7\u00e3o do\u00a0discurso propagand\u00edstico implica mecanismos materiais (l\u00edngua), institucionais (sociedade) e\u00a0do campo imagin\u00e1rio (mem\u00f3ria coletiva e individual). A ret\u00f3rica da propaganda alicer\u00e7a-se na\u00a0modaliza\u00e7\u00e3o dos efeitos de sentido com a finalidade de estabelecer v\u00ednculos com o indiv\u00edduodentro de um espa\u00e7o\/tempo familiar, estrat\u00e9gico e difusor do desejo que o modaliza em seu\u00a0ser e fazer. Os arranjos sintagm\u00e1ticos e paradigm\u00e1ticos permeiam os efeitos afetivos e\u00a0\u201cpassionais\u201d sugeridos pela linguagem publicit\u00e1ria que podem ser reconhecidos como medo,\u00a0ambi\u00e7\u00e3o, amor, necessidade, auto-afirma\u00e7\u00e3o. Desta forma, o homem projeta seus anseios de\u00a0crescimento pessoal e profissional no objeto adquirido, ou seja, na exalta\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o\u00a0externa do ego.\u00a0A figurativiza\u00e7\u00e3o do objeto pela imagem propagand\u00edstico garante a sua inser\u00e7\u00e3o no mundo\u00a0cotidiano pelo seu entrela\u00e7amento com o texto verbal. Dessa maneira, a ilustra\u00e7\u00e3o torna o\u00a0produto emblem\u00e1tico, j\u00e1 que captura o instante e o reconstr\u00f3i com requintes de artificialidade\u00a0e sedu\u00e7\u00e3o. A apresenta\u00e7\u00e3o do produto ao consumidor pela imagem tem por finalidade\u00a0despertar a motiva\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo para a compra, e tamb\u00e9m, delimitar a sua prefer\u00eancia por\u00a0determinadas marcas e n\u00e3o outras. Como conseq\u00fc\u00eancia, a aquisi\u00e7\u00e3o do produto vincula-se \u00e0s\u00a0necessidades, \u00e0s cren\u00e7as e aos desejos individuais profetizados e ancorados pela imagem.\u00a0A imagem encontra-se domesticada por regras e padr\u00f5es da ind\u00fastria publicit\u00e1ria que lhe\u00a0conferem um car\u00e1ter de imita\u00e7\u00e3o da realidade sob a perspectiva de um emissor, no caso o\u00a0publicit\u00e1rio, que almeja que o receptor por meio da percep\u00e7\u00e3o estabele\u00e7a uma rela\u00e7\u00e3o afetiva\u00a0e duradoura com a marca. Dentro do narcisismo social, onde o fato constr\u00f3i-se pelo discurso e\u00a0pela imagem que o enunciam, a televis\u00e3o colabora para a transmiss\u00e3o da mensagem\u00a0publicit\u00e1ria atrav\u00e9s da democratiza\u00e7\u00e3o da cultura de massa para a massa. Essa afinidade entre\u00a0m\u00eddia e propaganda possibilita a manuten\u00e7\u00e3o das formas de domina\u00e7\u00e3o comportamental e\u00a0ideol\u00f3gica, pois confere ao homem a categoria de \u201ccoisa que consome\u201d.<\/p>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nConv\u00e9m ressaltar que os meios t\u00e9cnicos ampliaram a escala da comunica\u00e7\u00e3o humana, uma \u00a0vez que permitem a transmiss\u00e3o do c\u00f3digo n\u00e3o somente pelo discurso verbal, &hellip;","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-68","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-marketing"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/68","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=68"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/68\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/68\/revisions\/84"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=68"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=68"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/discursodasmidias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=68"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}